Como a imaginação não tem limites neste blog podem ver desde receitas, artesanato a uma panóplia de coisas

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Abr 09

 

Ontem o jornal Correio da Manhã publicava como manchete “80 crianças devolvidas a instituições” e o telejornal da RTP1, pelas 20:18, decidiu seguir o exemplo de mau jornalismo deste periódico e apresentou uma reportagem do mesmo tipo, supérflua, sem qualquer tipo de investigação. Os jornalistas limitam-se a apresentar estatísticas, sem qualquer tipo de contextualização e a entrevistar pessoas que, aparentemente, nada sabem sobre o assunto. Na verdade estão mais interessados no sensacionalismo de uma notícia como aquela de uma eventual mãe que abandona os seus 3 filhos, adoptados, no Brasil. O terrorismo das audiências e do tempo obriga a que não seja verificada a veracidade das informações. Quando é que os medias se interessam realmente pela adopção e pela forma como os serviços sociais respondem aos candidatos? Indigna-me que 80 candidatos a pais não tenham coragem para levar até ao fim os seus processos de adopção mas indigna-me muito mais que os futuros candidatos se dirigiam aos serviços sociais com um catálogo do filho que pretendem adoptar, como se dirigissem a uma loja.
Lamento que um canal público se limite a entrevistar uma única pessoa, um especialista da Missão Criança que afirma  que os candidatos apenas são entrevistados 2 ou 3 vezes. Por experiência própria posso afirmar que o processo não é feito desta forma. Durante 6 meses, fomos entrevistados várias vezes (tanto na Santa Casa como em nossa casa), fizemos diversos testes. É assim que funcionam as candidaturas. Quem são estes pretensos especialistas que a RTP cita que criticam a forma como os candidatos são escolhidos? Com certeza que os métodos de escolha dos funcionários dos serviços sociais não são infalíveis. Falham. Também é verdade que os médicos nem sempre acertam os seus diagnósticos. Também é uma certeza que nem sempre os psicólogos ou psiquiatras conseguem curar um doente.
Senhores jornalistas: façam uma investigação séria sobre a adopção. Entrevistem as pessoas que todos os dias se dedicam a arranjar pais às milhares de crianças institucionalizadas. Visitem os serviços de adopção da Santa Casa, as instituições que acolhem as crianças abandonadas. Entrevistem futuros pais e pessoas que tenham passado pelo processo. Vejam casos de sucesso e de insucesso. Não se limitem à frieza dos números nem à superficialidade de uma notícia que nada diz.

6 comentários:
Olá,

vi a notícia no jornal e achei deplorável. Não vi a notícia no telejornal e por isso não me posso pronunciar...

Mas já passei por um processo de adopção e não consigo afirmar com tanta certeza de que a selecção dos candidatos seja feita da melhor forma. O nosso processo não foi feito pela santa Casa, foi pela Segurança Social e ficámos sempre com a sensação de que as entrevistas eram uma coisa mt leve. Não ficámos nunca com a sensação de que estávamos efectivamente e realmente a ser analisados...

E acho também que o processo de adopção ainda tem mtas falhas... Não é estranho que não se conheçam casos de casais rejeitados? Será que simplesmente aceitam todos e dps mantêm as pessoas indefinidamente numa lista qualquer? Porque é que de vez em quando aparecem casos de crianças que estão há anos à espera porque no seu distrito não há pessoas que as queiram? Porque é que a base de dados nacional não funciona?

Ou seja, no minimo há muito espaço para melhorar... e estes casos de devolução de crianças deviam efectivamente ser analisados. Devia saber-se se foi uma má avaliação dos serviços ou se as razões que aparecem na imprensa (absolutamente absurdas e inacreditáveis) são mesmo verdade...

É que devolver 1 criança tb não deve ser fácil...
alex
alex a 14 de Abril de 2009 às 14:36

Bom dia

Por acaso não sei onde foi a RTP buscar a ideia de que eu possa ser um especialista, também não gostei. Agora, já passei por dois processos de adopção e conheço muitas pessoas que passaram por ele, sou owner do grupo de discussão nos-adoptamos e responsável pelo blog do mesmo nome. Não vou discutir consigo se realmente eu sei ou não sobre o que falo, vou fazer outra coisa, vou deixar-lhe um convite a que escreva para o blog e nos mostre que sabe mais que nós.

Estou completamente de acordo consigo, a maior parte dos jornalistas limita-se a repetir números e noticias, é por isso que crie o blog nos adoptamos, é por isso que falo muitas vezes no meu blog sobre adopção. Acredito que consigo as coisas tenham corrido muito bem e que tenha a melhor das ideias sobre as assitentes sociais e a segurança social, mas acredite, a realidade não é essa e falo em nome das dezenas de candidatos e pais adoptivos que já conheci

O meu email é jfreitas.soares@sapo.pt, gostaria muito de contar com a sua participação e a sua experiência de modo a que todos juntos lutemos para que as leis se cumpram.

Jorge Soares

É muito fácil dizer
Jorge Soares a 18 de Abril de 2009 às 12:24

Gostava de saber quem investiga os pais biológicos e quem se preocupa com a forma como as crianças são tratadas?! Porque há tanta atenção sobre os pais adoptivos e nenhuma sobre os biológicos, normalmente a SSocial só retira as crianças já tarde e quando já muita coisa aconteceu!
Só a titulo de exemplo, ainda na semana passada num infantário que visitei em Lisboa a directora me dizia que tinha colocado a obrigação de pagamento de 13 meses anuais para quem nunca tirasse férias com os filhos. Isto porque 50% dos pais iam de férias e os miudos ficavam no infantário 12 meses. Iam para a praia ou passear e deixavam-nos lá! Outros iam para o estrangeiro e deixavam-nos com alguem que o ia buscar ao infantário ao final do dia! E isto não é abandono????? É apenas um mês mas mostra muita coisa!
beijinhos
Sofia Gaivota a 20 de Abril de 2009 às 18:14

Pois é Sofia, tens toda a razão. Mas por aquilo que sei ( e se estiver enganada, por favor digam-me) o Estado tem uma grande culpa pois só em último caso é que se retira uma criança à família biológica. E depois acontecem casos como aqueles, tantas vezes, noticiados na imprensa. Posso dizer-te que na Ajuda de Berço estavam 20 crianças e só a Esmeralda em que estava em condições para ser adoptada. Todos os outros bebés estavam a ser integrados nas suas famílias biológicas. A Ajuda de Berço não tem culpa e aje com as melhores intenções. Os culpados são aqueles que estão no poder que não se preocupam nem com a criança, nem com os velhos. Estes não votam por isso não interessam.
Susana a 20 de Abril de 2009 às 19:20

Olá boa tarde,
Pelos vistos, a sua experiência no campo da adopção foi positiva. Ainda bem que há casos assim, e que não é o único...
o entanto, muita coisa corre muito mal nestes processos, e corre de maneiras bem diferentes de região para região do país.
Se calhar, devia conhecer melhor estes casos, para ver como há muita razão no que foi dito pelo Jorge, tanto na reportagem como no seu blog, como no Nos Adoptamos, no qual me incluo.
Posso contar-lhe que o meu processo de avaliação contou com apenas 2 entrevistas. Fui aprovada ao fim de 6 meses, e em teoria tudo correu bem. No entanto, tenho consciência que nestas duas entrevistas as técnicas não me ficaram a conhecer... Não as culpo, pois são apenas 2 para todo o distrito e é o próprio sistema que assim o permite acontecer.
Não faço ideia de que "testes" fala durante a sua candidatura... e muito gostaria de os conhecer, pois podem servir de exemplos de boas práticas para virem a ser implementados a nível nacional.
Eu aguardo por um filho há 9 meses, enquanto que sei que há crianças que aguardam por pais, que poderia ser eu e o meu marido, há anos e anos.
Acha que as coisas correm todas e sempre bem?
Tem toda a razão quando afirma que os jornalistas, seja a RTP ou outro canal ou meio diferente, deviam aprofundar melhor as questões, e trazer a público tudo o que aqui está envolvido. No entanto, a entrevista que o Jorge deu foi sobre um tema específico, e em TV o tempo é muito pouco, como saberá. Por vezes, é necessário começar por alertar para o que está mal - para que se comece a corrigir, para que os casos de sucesso sejam cada vez mais e ganhem também eles notoriedade.
Reitero o convite feito anteriormente.
Venha conhecer-nos e falar do seu caso, teremos todo o gosto em partilhar experiências, divulgar casos que correm bem, e tentar corrigir as coisas que estão mal.
Sofia
Sofia a 21 de Abril de 2009 às 15:42

Sofia, já percebi pelo vosso blog e pelos comentários do Jorge que eu e todos as pessoas que tenho conhecido na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa somos uma excepção no meio de um quadro bem mais negro do que aquele que tenho traçado. Não fui avaliada em duas entrevistas e sinceramente perdi a conta às vezes que estive com as técnicas da SCML. Durante 6 meses foram muitas as avaliações. Fui avaliada individualmente, assim como o meu marido...fomos avaliados como casal...a minha relação com a minha familia e amigos foi avaliada...fizemos vários psicotécnicos para avaliar as nossas competências sociais e como pais...enfim, "dissecaram" toda a nossa vida. Ainda nos testaram em nossa casa. O que posso dizer é que por conversas com outros pais, aparentemente, todas as equipas de adopção da SCML funcionam assim e bem. Para mim é muito bom sentir-me acompanhada pela "nossa" equipa. Sei que quando precisar posso contar com elas. Mesmo neste processo de pré-adopção vêm constantemente a nossa casa e nós frequentamos as diversas acções de formação, de esclarecimento e de troca de experiências que elas promovem.
Reafirmo, mais uma vez, que se devem focar tanto os casos positivos como os negativos e por isso também convido todas as pessoas com experiências diferentes da minha a partilhar aqui a sua visão.
Já pedi desculpas ao Jorge pela indelicadeza do meu comentário e até editei o meu post. Agora conheço o vosso trabalho e o blog, que é de louvar, assim como a Missão Criança. Também tenho consciência que em televisão o tempo é muito curto e que a edição da entrevista do Jorge não foi das mais felizes e a mensagem que ele pretendia enviar não ficou talvez muito clara. Ou talvez eu sofra de excesso de optimismo e também de alguma ignorância. Também convido todos aqueles que sabem mais do que eu a participar e a esclarecer-me. Estou sempre pronta para aprender, não fosse eu uma eterna estudante...
Muitas felicidades para si Sofia e que a vossa criança chegue tão depressa como a nossa Esmeraldinha.
Claro que aceito o vosso convite.

Susana a 21 de Abril de 2009 às 17:00

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